terça-feira, 24 de agosto de 2010

Um caracol, um infinito, enrolado no ser úmido e rastejante de ser apenas isto, e se esconder em uma casca grande se camuflando em um lar frio e inventado. Sendo esse o refúgio para uma existência tão tênue e frágil.
Sobre isso, um ego de demonstrações ilusórias, um oferecer de proteções efêmeras, uma excitante estante enfeitada de escolhas, em que qualquer olhar se perde por um instante.
Teu ser rastro...
Teu ser passo...
Não me pode valer mais que uma lembrança.

T.C Agosto 2010

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O amarelo do fumo entranhado na pele dos dedos, infiltrou-seno meu sangue, abrasando as minhas vísceras ...E sinto-me como um carneiro doente, violentado pelo predador.No impulso seguinte sou o lobo que mordeu o carneiro, fazendo-o sangrar um belo vermelho escorrendo e pintando sua lã branca, sua fraqueza paralisou os pequenos movimentos que as pernas ainda tentavam fazer, até permanecer ali, imóvel, á beira da cerca, olhando estúpidamente além, como quem espera um mísero e qualquer salvador.Eu que agora observo o carneiro, com olhar de quem nao conhece os próprios olhos, eu estava a procura do lobo, como se pudesse enganá-lo ...Sou o então, arquiteto das armadilhas, sendo ele o violador, a vítima e a salvação.E é o amor que é o carneiro, que é o lobo, que é o meu olhar e que só pode ser Deus.

(T.C)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Engano.

Nos enganamos, como duas crianças em meio á uma brincadeira, nós perdemos, nós ganhamos.
Nos demos conta do engano e acabou o faz de contas.
Ainda que retornássemos ás mentiras, não haveria mais graça.
Nós já sabemos o segredo.
As ruas estão vazias, a banda já se foi ...
O carnaval acabou.

(T.C) 05 agosto 2010.
Um dragão criança.

Tem alguém que grita dentro de mim:

- Livre, livre, o ser livre !

Alguém que não me deixa ir por esse lado, pois me diz :

- Assim não se é livre, não se é livre,se é livre !

Como uma criança desesperada, começa a saltar pelos meus olhos, e minha boca, tomando conta inteiramente dos meus sentidos e do meu controle, e já nao sei mais se quem responde sou eu ou ela, desconheço qualquer movimento que o meu corpo se propõe a fazer, mas não tenho medo... eu gosto, e até me esqueço de quem sou ou quem fui, é minha companheira, minha graça, minha poesia...

E como alguém que brinca comigo, adormece dentro de mim como uma espécie de Dragão e amanhece ao meu lado.

Penso que a minha loucura caminha lado a lado comigo de mãos dadas me divirto e me espanto com ela, temos um acordo eterno, de que uma nunca invada o espaço da outra, uma proposta ousada, pois ambas somos um pouco contraditórias.


(T.C) 03 agosto 2010.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009


Uma multidão de ruas, na memória de praças em que andei ...
me trazem uma confusão de olhares, como portas entreabertas e o que se vê de fora só alcança a meia luz da entrada...
E há no corpo essa curiosidade de adentrar...
Há na visão externa, o desejo ...
Nos encontros um embaraçar ...
Uma tentativa medíocre de evitar que eles sejam tão intensos a ponto de lhe tomar os pés e as mãos, te entrelaçando fazendo e desfazendo nó...
Um temor de descobrir que depois da meia luz da porta de entrada seja um eterno vazio, que só pode ser preenchido com as essências de tudo que sou...
portanto desculpe a demora hesitante para abrir a maçaneta.
(T.C)

sábado, 10 de outubro de 2009


Cabelos
Com pesos
Curtos
Surtos...
Cultua
Tua
Clareza
Desfeita.

No vago abstrato de sentir e falar, vitalmente faltou a mente, por estranho fato em que o ato muda o espaço num simples desabafo, que de alma se acalma, e de mão sobra um leve desespero do motivo que em riso alcança o sabor do toque e da voz pacífica, agora lícita.
..........................................

quinta-feira, 8 de outubro de 2009


"Talvez Menina"


Talvez ela respondeu as próprias perguntas por satisfação, mesmo que não fosse essa a intenção .
Talvez sabia o que fazer, quando mostrou sua indecisão com tanta convicção.

Cansada às vezes, chorou pelo seu maior "quase-amor" e com seu vestido florido cantou a canção que lembrava sempre que amava e desamava o colorido.

Talvez um fosse e o outro voltasse ,mas ela hesitante ,agora dança a canção, contando com a sorte de quem segue sem nenhum transporte.

Confunde-se por vezes com os cheiros de inicio e fim, misturados com as fases de sim e não que vem e vão.

Traziam-lhe flores mesmo que fossem as mesmas velhas e murchas, talvez ela esperasse que virassem lindas margaridas ...

Ela quis ser a Florisbela, sem perceber que era a flor mais bela, e ainda sorrindo protestou o seu direito que sem jeito se evidenciou nos olhos de choro perfeito pela fragilidade da fase, que só tem feito doer a quem vê, tanto que se pudessem aprisionariam a sua tristeza pra que não mais molhasse a face expressiva, contraída pela ferida...

Talvez fosse bonita,com seus olhos de labirintos atraídos pelos traços refletidos.

Talvez seus gestos fossem incertos, certos, rápidos, controlados, DE-SES-PE-RA-DOS, junto de sua fala gritada,atingida, de fada ...

Talvez feliz aceitasse a mão estendida, mas contida, triste, tímida, perdida, sorriu e doce partiu ....

Talvez a leveza e a pureza, fez os olhos de labirinto chorar por dias...

Talvez a doçura ficou guardada e forte como as lindas margaridas...

Talvez os caminhos sejam incertos...

Talvez o amor seja simples e eterno...

Talvez...